"Glaura é um distrito do município de Ouro Preto. Chamou-se primitivamente Casa Branca e foi dos mais antigos arraiais de Escavações antigas que comprovam a exploração do ouro... mineração de Minas Gerais. 'Quem ainda hoje transita por esses lugares, às margens do rio das Velhas, a uma légua do arraial da Casa Branca, fica tomado de admiração ante as imensas escavações em torno das ruínas dessa fazenda, escavações que em alguns lugares se alongam desde as margens do rio até os altos vizinhos ...' (Rev. A.P.M., XIII, 84). O autor referia-se à fazenda da família Figueiredo Neves, onde havia uma capela dedicada a Jesus, Maria e José, uma das mais antigas de Casa Branca. Baltazar de Godoy era o proprietário da antiga capela em que se celebravam os atos religiosos, em Casa Branca, antes de se edificar a Matriz, 'para cuja construção muito concorreu a família Figueiredo Neves e também Baltazar de Godoy'. Já era Capela curada em 1719, como se verifica pelo seguinte assentamento: 'Este livro há de servir para nele se lançarem os assentos dos batizados, casados e mortos, nesta matriz de Santo Antônio do Campo, onde chamam Capela de Baltasar Godoy, e leva no fim o termo de encerramento por mim assinado como vigário da vara desta Vila Rica e seu distrito. Vila Rica, 2 de outubro de 1719 Lucas Ribeiro (REV. A.P.M., XIII, 85)'. Deduz-se que a primitiva denominação de Casa Branca aparece pela primeira vez, no termo da visita pastoral feita ao lugar por Dom Antônio de Guadalupe, bispo do Rio de Janeiro, em 30 de agosto de 1927. O arraial de Casa Branca foi elevada a freguesia, por ato de Dom Frei Manoel da Cruz, em 1748. O alvará de 16 de janeiro de 1752 elevou-se à categoria de colativa. O título era Santo Antônio da Casa Branca. E o primeiro vigário colado foi Pe. Manuel Pires Vergueiro.Posteriormente foi suprimida a paróquia, sendo restaurada com a lei mineira nº 209, de 7 de abril de 1841, com a mesma denominação, isto é, Santo Antônio da Casa Branca. O decreto-lei nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, deu-lhe a denominação de Glaura. O saudoso Mestre Salomão de Vasconcelos, lamentando a destruição de nossos toponômios antigos, escreveu: 'Casa Branca, tradicional e poético povoado do Município de Ouro Preto, cujo nome foi tirado da primeira habitação ali plantada no final do séc. XVIII, chama-se hoje, simplesmente, Glaura!.' (Rev. I.H.G.M.G., IV, 19). Texto extraído do livro de Waldemar de Almeida Barbosa - Dicionário Histório-Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte - 1971 - Página 201.
A capela dedicada a Santo Antônio onde celebravam os ofícios religiosos, pertenciam ao bandeirante Balthazar de Godoy, grande minerador e um dos fundadores de Casa Branca. Outros fundadores da localidade são: Tomás Ferreira, comerciante de gado da Bahia e em Minas Gerais, deu origem à família Figueiredo Neves, proprietário de mineração local denominado Rio das Velhas em Casa Branca, onde se realizaram as maiores escavações da vila em busca de ouro. Outro fundador seria Luiz de Figueiredo Leitão. Sendo ponto de passagem para os caminhos da Bahia e Rio de Janeiro, a vila notabilizou-se como importante via de comércio da região. Casa Branca recebeu grande número de viajantes por isso, próximo a matriz, existia um acampamento utilizado pelos tropeiros como ponto de carga e descarga de mantimentos. No caminho em direção a ponte de Ana de Sá, que dá acesso a Nova Lima, foi construído uma estalagem de repouso para bandeirantes e viajantes, atualmente chamada Casa do Sr. Teodomiro, encontrando-se em razoável estado de conservação com um belo quintal de árvores frutíferas. O comércio sustentou o desenvolvimento do local e a população dedicou-se a produção hortifrutigranjeiros e a pecuária, comercializados em toda Minas Gerais. É assim que a região se mantém até meados dos século XX. Quando foi construída a rodovia pavimentada Casa Branca perde grande parte do seu fluxo de comércio. O turismo rural, atividades campestres, especialmente preparadas para visitantes, também tem se destacado na parte do distrito denominada Vale do Tropeiro. Fonte: www.ouropreto-ourtoworld.jor.br
Conheça a nossa história
Glaura é chamada também de Casa Branca, situada a 26 km de Ouro Preto. É um dos mais antigos distritos. Sendo ponto fundamental de passagem dos bandeirantes. Uma prova deste fato é um chafariz histórico de Dom Rodrigo local em que foi construída uma fonte de água em 1782 por ordem do então governador e capitão mor da região, Dom Rodrigo de Menezes. Em suas estradas ocorreram disputas por causa da posse das terras mineiras, as chamadas Guerra dos Emboabas. O distrito produz frutas durante todo o ano e os doces caseiros são de boa qualidade. Glaura, surgiu por volta do séc. XVIII, no auge da exploração do ouro. Era refúgio dos grandes senhores que tinham o antigo arraial como ponto de divisão entre Vila Rica e São João Del Rei. Em volta da igreja a grama verde empresta um ar bucólico ao lugar, tão típico das pequenas cidades do interior mineiro. Sobre o gramado verde se ergue, majestosa e imponente, a Matriz de Santo Antônio, com sua fachada rica em detalhes e cunhais de cantaria. A igreja é uma lembrança persistente dos tempos áureos do século XVIII em que Casa Branca era um próspero povoado produtor de ouro. Lendas dizem que o primeiro nome do arraial foi Santo Antônio das Garças Brancas devido ao fato de que por ocasião de uma festa de Santo Antônio apareceram duas garças brancas que ficaram voando por sobre a antiga capela. Porém, este é apenas mais um dos causos mineiros, uma vez que não se encontraram registros da época que comprovam este acontecimento. Às margens do Rio das Velhas estabeleceram-se desde o alvorecer do século XVIII muitos mineradores vindos de todos recantos. Entre estes, um se destacou no qual seu nome foi dado como primeiro topônimo do arraial florescente que se chamou de Santo Antônio das Minas de Baltazar de Godoy. Baltazar de Godoy possuía uma ermida com três altares barrocos e uma imagem de Santo Antônio. Quando em meados do século XVIII deu-se início a construção da Igreja Matriz estes altares foram inseridos no interior da igreja, como estão até hoje, preservados na nave. O nome Santo Antônio da Casa Branca deveu-se, provavelmente, à coloração das casas que em geral vigorava nas minas, casas caiadas, casas alvas, Vista Interior da Igreja casas brancas. A principal construção do povoado continua sendo, contudo, a Igreja de Santo Antônio, que é uma das mais graciosas igrejas de Minas, uma obra de arte talhada nas montanhas. O início das obras se deu em 1757 e o fim provável foi em 1764, data existente sobre a cruz entalhada em pedra situada entre as duas torres. Foram arrematantes da obra José Coelho de Noronha, Antônio Moreira Gomes e Tiago Moreira, conhecidos empreiteiros da época. A Igreja de Santo Antônio foi construída originalmente para ser Matriz. Em 1943 o poder público mudou o velho e histórico nome do povoado para Glaura. Há pessoas que acreditam que este nome fora dado em homenagem a uma famosa obra literária do escritor Manuel Inácio da Silva Alvarenga, nascido em Ouro Preto em 1749, em que o pseudônimo de sua musa inspiradora era Glaura. Acredita-se ainda que tal musa morara em um sobrado que era situado à Rua das Flores e foi consumido pelo pelo tempo e pelo descaso de nossos antepassados para com a nossa história. Alguns historiadores especulam que Silva Alvarenga tenha nascido ou morado aqui, por isso a homenagem com o nome de sua musa. Este fato, no entanto, não é comprovado historicamente. O certo é que a população ainda conserva o nome primitivo, chamando a todo momento o distrito de Casa Branca, uma pequena jóia das Minas Gerais. Fonte: www.cachoeiradocampo.art.br e moradores de Glaura.
A História de Glaura segundo Mauro Werkema Concordam os historiadores com a informação de Diogo Vasconcelos (História Antiga de Minas Gerais, de 1901) que o primitivo arraial de Casa Branca surge em 1700/1701 por decorrência do “flagelo da fome” experimentado por toda a região de Vila Rica e de Vila de N. S. do Ribeirão do Carmo (Mariana). Populações inteiras, movidas pela fome, dispersaram-se em busca de terras mais férteis para o plantio e fundaram os arraiais de Cachoeira do Campo, São Bartolomeu, Acuruí (Rio de Pedras), Casa Branca e muitos outros. E, ao lado das novas roças, pesquisaram os ribeirões e em alguns locais acabaram por encontrar novas minas. Próximo do Rio das Velhas, que corre ao lado da Serra do Espinhaço (nome dado pelo Barão de Eschwege, que viveu em Vila Rica de 1811 a 1821, porque parece a espinha dorsal de Minas; denominada Capanema na região, divisora de águas dos Rios São Francisco e Doce), o arraial prosperou como passagem de viajantes e tropeiros que vinham de Vila Rica para Comarca do Rio das Velhas (Sabará). O caminho já existia por volta de 1700 e saia de Vila Rica pela região do Passa Dez, seguindo pela cumieira da Serra, passava pelo Chafariz de Dom Rodrigo (dom Rodrigo José de Menezes, governador-geral da Província), construído em 1786, atingia o povoado de Catarina Mendes, bifurcava para São Bartolomeu ou Glaura, de ontem seguia para o atual povoado de Soares, atravessa o Rio das Velhas em Ana de Sá (nome de proprietária de antiga fazenda), alcançava Acuruí, Santo Antônio do Rio Acima, Raposos, Mina de Morro Velho e Vila Nova de Lima (Nova Lima), caminhos hoje integrantes da Estrada Real. Duas famílias, pioneiras na ocupação do arraial, aparecem nos primeiros documentos: a de Baltazar de Godoy e os Figueiredo Neves. Por todo os Séculos XVIII e XIX, foi passagem e descanso para tropeiros que faziam o abastecimento e o comércio entre Sabará e a Região do Tripuí, Vila Rica e Mariana. Com o nome de Santo Antônio do Campo de Casa Branca, o arraial já possuía capela em 1719 (Rev APM XIII, 85). A atual matriz de Santo Antônio foi edificada de 1758 a 1764 (data gravada na cruz do frontispício), mandada construir pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, tendo como mestre de obras Francisco de Lima Cerqueira, que participou de importantes construções religiosas em Minas, entre elas as Igrejas do Carmo e São Francisco de Ouro Preto e São João del Rey e do Santuário de Congonhas do Campo. Integra o grupo das grandes matrizes mineiras, estilo jesuítico, retilíneo, imponente, com alto frontão e duas torres sineiras e estrutura de alvenaria de pedra. Internamente, a ornamentação concentra-se nos altares e retábulos, barrocos, da primeira fase, estilo Dom João V. É tombada, desde 1962, pelo IPHAN e inscrita no Livro de Belas Artes. Pelo Decreto-Lei 1.058, de dezembro de 1943, da Câmara de Ouro Preto, passou a chamar-se Glaura, em homenagem a Manoel Inácio da Silva Alvarenga, nascido em Ouro Preto (1749/1814). Poeta, integrante da Escola Mineira, arcadista, revolucionário ( esteve preso, por quase três anos, acusado de conspiração contra a Coroa), formado em Coimbra, viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro. Silva Alvarenga tem uma longa e movimentada história, que merece ser lida, com destaque para a modernidade do seu pensamento político e a liderança que exerceu nos meios intelectuais do Rio de Janeiro, através especialmente de um clube literário de que foi o principal inspirador e que o levou à prisão. Glaura é um poema de exaltação à rica natureza brasileira, sua flora e fauna, narrada por um pastor no estilo idílico dos árcades. Com alguma atividade mineratória, próximo às margens do Rio das Velhas, e dedicando-se à produção agropecuária para abastecimento à região das minas, Casa Branca prosperou pela primeira metade do Século XVIII. Mas, com a decadência de Vila Rica, com a exaustão das minas e especialmente com a opção por outras estradas, também passou por longo período de estagnação, em especial no Século XIX, o que assegurou sua relativa conservação como antiga vila, de aspecto colonial e casas antigas. Passaram por Glaura vários personagens e viajantes ilustres. Dom Pedro I, em 1830 e Dom Pedro II, em 1881, o viajante e sábio naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1817), o naturalista inglês Richard Burton (1868), e muitos outros. Dom Pedro II registrou no seu Diário de Viagem, publicado pelo Museu Imperial de Petrópolis, que dormiu uma noite no arraial de Casa Branca. De Glaura a Soares, na linha do horizonte está a Serra do Capanema (serra de mato ralo, em tupi-guarani), denominação decorrente do Barão de Capanema, Guilherme Schch, nascido na Fazenda Timpopeba (Distrito de Antônio Pereira) em 1824 e falecido no Rio em 1908 e que implantou fazenda no sopé da Serra, até hoje existente, na região da Área de Proteção Ambiental do Uaimii. Engenheiro, mineralogista, realizou pesquisas e deixou vários trabalhos científicos. Seu pai, Rochus Schuch, austríaco, veio para o Brasil em 1817 com a Missão Científica Austríaca que acompanhou a princesa Leopoldina de Habsburgo, que casou-se com dom Pedro I. Nos nossos dias, distante 73 km de Belo Horizonte e 22 de Ouro Preto, Glaura começa a tornar-se destino turístico para os que fogem da grande cidade e buscam a vida rural, lazer e descanso, Turismo Ecológico e de Aventuras, necessitando de medidas de proteção compatíveis com sua preservação e esta nova fase de sua tricentenária existência. Mauro Werkema - (julho/2008)
Detalhes sobre a história e a arquitetura da Igreja Matriz de Santo Antônio. Igreja Matriz de Santo Antônio em Glaura (Ouro Preto, MG) Outros Nomes :Igreja de Santo Antônio Descrição :A Matriz de Santo Antônio de Glaura teve suas obras iniciadas em torno de 1751, em substituição à antiga de madeira, edificada em torno de 1723 e situada em outro ponto do arraial. Coube à Irmandade do Santíssimo Sacramento a iniciativa de sua construção, através de incentivos da comunidade. Conforme consta no relatório elaborado por Salomão de Vasconcelos, datado de 1946, o principal arrematante das obras foi Tiago Moreira, embora outros oficiais tiveram seus trabalhos documentados a exemplo de Francisco da Costa, Clemente João, Francisco de Lima e Antônio Moreira Gomes, entre outros. Indica ainda o mesmo documento que os retábulos, cuja fatura é atribuída ao mestre entalhador ValérioVista interior da Igreja. de Souza Romeiro, foram aproveitados da primitiva capela e que o douramento é considerado trabalho do irmão Antônio da Costa. A data de 1764, gravada na peanha da cruz do frontispício, refere-se provavelmente, ou à conclusão das obras, ou ao término apenas do corpo do edifício. Pelo que se depreende do relatório da visita pastoral de D. Frei José da Santíssima Trindade em 1822, a igreja já contava nessa ocasião com cinco altares, estando todos, porém, pobremente ornados. Já o relatório do Vigário da Província, José Ildefonso de Souza Ramos, datado de 1849, indica que naquele ano o coro e os púlpitos ainda estavam por fazer. No decorrer do século XIX, foram enviados à matriz pelo Governo Provincial, quantias destinadas a reparos e manutenção. Em 1962, a igreja foi inventariada pelo IPHAN, com vistas ao seu tombamento. Trata-se de uma construção em pedra, com fachada enquadrada por duas colunas. Apresenta portada com bandeira de vidro e follhas almofadadas, encimada por cimalha, tendo, logo acima, detalhes ondulados também em cimalha e um nicho central trabalhado em pedra. À altura do coro, duas janelas rasgadas com ombreiras, cimalhas e sobrevergas. Possui cornija dividindo a fachada. O frontão, em volutas, apresenta óculo redondo envidraçado logo acima da cornija. Encimando o óculo, volutas em relevo e concha em pedra trabalhada. O frontão é arrematado por frontal cruz sobre pedestal. A igreja possui duas torres quadrangulares, com janelas sineiras, ladeadas por coruchéus e encimadas por pináculo. Internamente, possui piso em tábuas corridas, e nave separada do altar-mor por balaustrada de madeira preta. Os altares laterais, possivelmente originários da igreja primitiva, apresentam arquivoltas encimadas por arquitrave com sanefas representando Nossa Senhora do Rosário e São Miguel, ambos ricamente trabalhados em talha barroca. O altar-mor é ladeado por nichos, sendo, porém, menos trabalhado. Possui interessante livro ilustrado de compromisso da Irmandade de Santo Antônio, datado de 1723. Texto extraído de: IEPHA/MG. Superintendência de Documentação Histórica. Arquivo. Endereço : Distrito de Vila de Glaura - Ouro Preto - MG Livro de Belas Artes Inscrição :470 Data :24-10-1962 Nº Processo :0465-T Observações :O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN. Fonte: http://www.iphan.gov.br/ans.net/belas.htm
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